Agora, com tanta informação disponível, as marcas estão precisando se adaptar para conquistar a preferência e, acima de tudo, a confiança dos clientes. Isso é ótimo! Tanto que a busca por produtos cruelty free e veganos tem crescido exponencialmente no Brasil, especialmente no que diz respeito aos cosméticos.

Com consumidoras mais informadas e engajadas, as empresas estão precisando se adaptar e abrir mão de vez dos testes em animais para desenvolver métodos menos cruéis de testes. E tem dado certo, viu?

No Brasil, a legislação permite o teste em bichinhos em casos específicos, como para avaliar irritações e reações adversas na pele, nos olhos e toxicidade aguda. Mas muitas empresas nacionais têm mostrado que é possível, sim, desenvolver bons produtos com ética, responsabilidade e respeito pela vida animal.

Para celebrar esse 04 de outubro, Dia dos Animais, preparamos este post especial para tirar todas as suas dúvidas sobre esse tema tão atual e tão importante quanto cruelty free!

O que é um produto cruelty free

O termo cruelty free, que em português significa “livre de crueldade”, aparece nas embalagens dos produtos que foram desenvolvidos sem fazer testes em animais em nenhuma das etapas da produção. É importante frisar isso porque algumas empresas não realizam testes no produto final, mas ele pode ter na sua formulação ingredientes que podem, sim, ter sido testados em cobaias.

Os produtos americanos merecem atenção especial, pois o país não tem uma regulamentação acerca do termo cruelty free, que vem sendo utilizado indiscriminadamente por várias empresas que, de fato, não utilizam animais em seus laboratórios, mas terceirizam os testes com outros fornecedores.

Vale lembrar que o país não exige nem proíbe os testes, mas cosméticos não precisam ter aprovação da FDA (Food and Drugs Administration, órgão regulador de alimentos e medicamentos), deixando a cargo do fabricante o controle de qualidade do produto. Então, se você quer dar um basta nos produtos que utilizam crueldade animal em seus testes, tenha cuidado redobrado ao comprar marcas importadas dos Estados Unidos.

Como ter certeza de que o produto é cruelty free

Justamente por esse “detalhe” que pode confundir o consumidor, é importante sempre procurar a verificação de entidades confiáveis. A instituição Cruelty Free International criou o selo “Leaping Bunny”, uma forma de identificar na embalagem empresas comprometidas com o fim da crueldade animal e que também não negociam com fornecedores que adotam essa prática.

Agora, se na embalagem aparecer um simpático coelhinho, pode ficar tranquila que este é PEA (Projeto Esperança Animal), uma das principais referências de cruelty free no Brasil ! A ONG também atualiza constantemente no seu site a lista de empresas que não testam em animais.

A diferença entre produtos veganos e cruelty free

Embora o número de veganos não seja registrado no Brasil, ao contrário do número de vegetarianos, que teve um salto histórico de 75% em relação a 2012, o levantamento do IBGE que traz este dado também revela que o interesse em produtos veganos vem aumentando: nas capitais, 65% dos entrevistados disseram que dariam preferência a produtos veganos caso a informação estivesse mais identificável na embalagem.

Mas, qual a diferença entre produtos veganos e cruelty free? Melhor, qual a relação entre eles? Nenhuma! Um produto vegano é aquele não utiliza nenhum ingrediente de origem animal na composição, o que não quer dizer que ele não possa ter sido testado em animais. Assim como o caso dos cruelty free, que não são testados em cobaias, mas podem ter ingredientes de origem animal como leite e mel.

Por que o cruelty free é tão importante para a indústria do cosmético?

Uma das resistências que os consumidores têm em relação ao produtos cruelty free é o preço, que geralmente é um pouco mais alto que o de marcas que ainda se utilizam de testes em animais. Isso acontece porque como não são utilizadas cobaias, as empresas precisam buscar métodos alternativos de testes, ou seja, precisam investir em tecnologia e pesquisa.

Isso também responde a outra pergunta: se existem métodos alternativos de teste, por que insistir na crueldade animal? A resposta é simples: é muito mais barato produzir assim. Essa é a resistência de muitas empresas, uma vez que cobaias são mais baratas que novas tecnologias, estudo, pesquisa e novos equipamentos. Há também as empresas que pensam em expandir seus negócios para a China, o último dos grande países a exigir que todos os cosméticos importados para o país sejam testados em animais.

Em contrapartida, empresas mais engajadas já desenvolveram sistemas de testes in vitro. Neles, é possível reproduzir o tecido epitelial humano para testes de corrosividade, ou então, camadas de tecido ocular para testes de irritação.

Por que dar preferência aos produtos cruelty free?

Basicamente, por dois motivos: acabar com o sofrimento animal e estimular as empresas a adotarem formas mais éticas e inovadoras de testar os seus produtos. Já não faz sentido continuar uma cadeia de maus tratos e sofrimento quando já sabemos que há tempos existem outras maneiras de testar cosméticos!

Cobrar as marcas sobre seu posicionamento também é importante para que cada vez mais elas se conscientizem de que, sim, o mundo está mudando e os consumidores também: muito mais informados e conscientes do que estão comprando!   

Caso a marca não seja clara na embalagem ou no próprio site, mande um e-mail para o SAC da empresa questionando-a. Eles são obrigados a lhe dar uma resposta clara a respeito da sua dúvida.

Então, escolher produtos cruelty free é um bom negócio para você, que tem a certeza de que não está contribuindo para o sofrimento animal; para a empresa, que precisa se adaptar e buscar soluções para esse problema, evoluindo tecnologicamente, e sem falar nos milhares de animais salvos todos os anos graças às novas forma de testes cosméticos. Entre nessa onda você também!

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